CIENTEC 2014

Estudantes da UFRN pedem desarmamento dos seguranças do campus

“Não sei quem diabo inventou que arma traz segurança” foi o grito de revolta entoado pelos integrantes do Levante Popular da Juventude do RN durante uma intervenção realizada nesta tarde (22) na Cientec. Em forma de cordel, os estudantes da UFRN pediram pelo desarmamento dos seguranças do Departamento de Segurança Patrimonial (DSP) e da Garra, que cuidam do monitoramento e segurança do campus.

A intervenção ocorreu em forma de protesto ao caso de agressão ocorrido no dia nove de outubro, no setor de aulas II, em que o estudante Marcos Luiz, de Ciências Sociais, foi agredido pelos seguranças terceirizados da UFRN. Segundo testemunhas no local, Marcos foi puxado pelos cabelos, teve a boca cheia de terra e ferimentos de cassetete na cabeça ao se recusar a sair de um lugar após ordem do segurança.

“A questão não é ele ter sido abordado, é como foi agressiva essa abordagem, como ela foi repressiva. São marcas que nos lembram da ditadura militar quando a polícia entrava na universidade e agredia fisicamente os estudantes”, conta José Lima, um dos integrantes do Levante Popular. O estudante fez um boletim de ocorrência e um exame de corpo de delito que comprovou as agressões.

Atraindo a atenção dos visitantes da Cientec, a intervenção é um divisor de águas. Há quem discorde com o desarmamento dos seguranças por medo de assaltos no campus, mas o professor do departamento de farmácia, Idivaldo Micall, concorda com a proposta e com a intervenção. “Acontece que o grau de violência aumentou e tem que existir outras formas de coibir. O ocorrido foi de uma brutalidade muito grande, não é dessa maneira que se resolve um problema, criando outros. E acho que somente com a manifestação de alunos é que as coisas tendem a mudar. Nós não podemos nos calar em momento nenhum”, constata.

O Levante Popular da Juventude criou uma página nas redes sociais para ocupação da Reitoria e enviou uma carta à reitora pedindo, além do desarmamento dos seguranças, o afastamento dos guardas envolvidos no caso, o fim do contrato com a empresa de segurança terceirizada e a criação do Fórum de Segurança da UFRN, composto por estudantes e professores, para fazer um curso de capacitação para os funcionários da segurança. A reitora aceitou a maior parte das propostas, exceto a ocupação da reitoria, que ocorre há uma semana.