SAÚDE

"Olhe, sinta e perceba suas mamas no dia-a-dia"

O câncer de mama é resultante da multiplicação anormal de células da região mamária. É uma doença que não tem causa única. Diversas questões podem estar relacionadas ao surgimento, entre elas a idade e alguns fatores, como os endócrinos e os genéticos.

Mulheres mais velhas, sobretudo a partir dos 50 anos, representam o principal grupo de risco, mas a doença também acomete as que têm idade acima de 40 anos e até mesmo homens.

Grande parte dos possíveis novos casos podem ser evitados com o autoexame da mama. Poderia ter sido o caso da Idaisa, 55, sócia-fundadora do Grupo Reviver, que fez o autoexame, mas acabou, na época, se auto-boicotando. “Eu senti o tumor em mim em dezembro e só fui receber o resultado em junho. Isso foi um diagnóstico tardio para mim, que, como consequência, tive que retirar toda a mama e fazer uma mastectomia total”, relata.

“Nós fundamos o grupo em 2012 com o objetivo específico de fazer diagnóstico precoce e trabalhar dando apoio aos dois grupos que já existiam, a Rede Feminina Contra o Câncer e o Grupo Despertar, que ajudam no suporte à Liga Contra o Câncer”, relata Idaisa.

Desde que foi fundado, o grupo atua pela cidade com diversos projetos que auxiliam na conscientização da importância do autoexame e da mamografia no combate ao câncer de mama.

“O diagnóstico precoce ainda é a maior arma para diminuição da mortalidade por essa doença, impactando na diminuição dos custos, que comprovadamente diminuem em pelo menos 30% as taxas de mortalidade”, explica a médica mastologista Dra. Patricia Valentini.

Idaisa reforça, ainda, a importância de se atentar à própria mama, com o autoexame, para evitar casos mais avançados do câncer de mama, como foi o dela.

Alguns fatores podem ser notados, exemplos:

  • Nódulo (caroço), fixo e geralmente indolor: é a principal manifestação da doença, estando presente em cerca de 90% dos casos quando o câncer é percebido pela própria mulher;

  • Pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja;

  • Alterações no bico do peito (mamilo);

  • Pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço;

  • Saída de líquido anormal das mamas.

É de extrema importância investigar com médicos e responsáveis esses sinais e sintomas, que podem tanto serem malignos quanto benignos.

HISTÓRIAS DO CÂNCER

Idaisa se emociona ao falar sobre a realidade da mulher com câncer em Natal. Suas palavras de acolhimento revela a mulher guerreira que contornou os obstáculos da doença e, hoje, ajuda outras mulheres a fazerem o mesmo.

“O câncer é muito duro. Se ele é duro para mim, que tenho todas as condições, imagine para quem não tem. Então, essa é uma das razões que faz a gente querer trabalhar nesse projeto incansavelmente”, conta Idaisa, que escreveu, a partir de seu diário, o livro Manual do câncer de mama - Dicas e direitos para uma melhor qualidade de vida.

Hoje, Idaisa ajuda outras mulheres a vencer os mesmos obstáculos pelos quais ela passou. Seu projeto, o Grupo Reviver, já realizou mamografias e acompanhamento para 6 mil mulheres, levando um diagnóstico e uma melhor qualidade de vida. A estimativa é que esse número só cresça, este ano, com o novo mutirão.

Foram pessoas como a Rosângela Silva que tiveram o apoio do Reviver na luta contra o câncer de mama e, atualmente, recebem o acompanhamento do grupo no tratamento final da doença.

“Eu procurei o reviver quando me encontrei numa situação muito difícil. Eu estava sem conseguir nada pelo SUS nem em lugar nenhum. Foi aí que eu conheci o grupo; eles me encaminharam para a Maternidade Januário Cicco e foi dado o início do tratamento”, relata Rosângela, que agradece imensamente ao apoio dado por Idaisa e pela ginecologista Dra. Uiane Azevedo, também do grupo.

Outros depoimentos e histórias de superação fazem parte do Grupo Reviver. O nome não é só uma denominação: é uma característica. A cada ano, revive inúmeras oportunidades de uma vida melhor e livre do câncer de mama para as mulheres.

“O câncer tem um tratamento muito duro, mas a cura é possível, e é possível, mesmo com essa doença grave, ser feliz, rir e continuar vivendo”, exclama Idaisa com toda a lírica no olhar de alguém que já passou por todos esses momentos, mas nunca deixou de lado o que ela considera mais importante: se amar, viver um dia de cada vez e, sobretudo, se cuidar.