FOLKCOM 2017 - RECIFE

A 5° mesa-redonda discute a Folkcomunicação na América Latina

A professora Dra. Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros (UERJ) iniciou a conversa trazendo um grande panorama com observações,  tanto regionais quanto internacionais sobre os processos históricos que permeiam as relações de poder, cultura e economia em nosso tempo. "Por que a Folkcomunicação surge no Brasil e por que no nordeste?" Com esse questionamento, Luitgarde afirmou que a Folkcomunicação aparece quando surge a cultura de massa. O nordeste sempre foi palco de importantes revoluções. É daqui que se enfrenta a dominação de poder, assim como Castro Alves fazia ao denunciar a escravidão negreira no país. Contextualizando a história de países latino-americanos com as de outros países, a professora analisou a questão dos operários na tomada de poder da classe dominante. O povo, segundo ela, não sabe governar e, por isso, necessita do auxílio dos intelectuais. Ela citou contribuições históricas que favoreceram o  fortalecimento do capitalismo ao redor do mundo, por meio do discurso, vendido pelos países mais desenvolvidos economicamente, sobre democracia e liberdade. Tais argumentações são usadas para justificar invasões em nome da industrialização de "países  atrasados".

De volta às questões do Brasil, Luitgarde resgatou aspectos importantes da nossa formação como o extermínio ou opressão de indígenas que se submeteram à catequese ou ao abandono de suas terras em nome de um progresso. Ela afirmou que, embora todos os países da América Latina já tenham abolido a escravidão, a modernidade foi responsável por um tipo de escravidão humana legalizada: "O Brasil está vivendo um período colonial disfarçado de período imperial."

Sobre a presença da Folkcomunicação no continente, a professora Dra. Karina Woitowicz (UEPG) questionou como essa teoria brasileira será aderida na América Latina. Para isso, é preciso pensar a realidade da sua própria cultura e seu contexto, além de analisar teorias já existentes aqui na região. É necessário, também, observar os cenários de resistência, fazendo reflexões teóricas associadas à questão política. É nesse sentido que é proposta a comunicação popular e alternativa. Tais questões repercutiram um cenário de mobilização e resistência, que marcou as ditaduras pela América Latina. Woitowicz ressaltou o papel da Folkcomunicacão na base conceitual, oportuna e necessária, para a compreensão dos frutos da comunicação popular e massiva.

Ao final, o professor Dr. Allan Soljenítsin Barreto Rodrigues (UFAM) apresentou sua pesquisa sobre as manifestações folclóricas em Parintins/AM. Sua intenção foi realizar um trabalho que pudesse refletir sobre a importância dessas manifestações na região amazônica (seu local de origem).