EDUCAÇÃO

O abandono da terceira idade

No Brasil o número de idosos vem crescendo de forma considerável. Pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que nas próximas décadas a quantidade de pessoas acima dos 60 anos será maior que a de crianças, dado inédito para um país periférico como o nosso. Os números são positivos, mas a forma como o brasileiro trata seus idosos ainda é preocupante, pois muitos são abandonados por seus familiares na fase inicial de possíveis doenças.

No Rio Grande do Norte os dados não são diferentes, muitos idosos são deixados em casas de repouso, populares asilos, quando passam a “incomodar” seus familiares. No nosso Estado um dos abrigos mais conhecidos é o Lar da Vovózinha, casa espírita fundada em 1952, a casa só abriga mulheres e atualmente conta com 40 vovós.

A assistente Social do lar, Daniele Rodrigues, explica que a grande maioria das senhoras chegam a casa após sofrerem algum tipo de violência, seja física, verbal ou financeira, “Infelizmente os casos de violência financeira ainda são muitos, os filhos ficam com o idoso apenas para receber sua pensão ou aposentadoria, esquecem que é dever da família cuidar de seu idoso”, declara Daniele.

Apesar desta violência acontecer de forma mais frequente os casos de agressão verbal e física também são comuns, “Acredito que o brasileiro possui uma cultura grosseira, por isso muitas vezes os familiares tratam mal seus idosos sem perceberem que o estão fazendo”, afirma a assistente.

De forma voluntária, ou não, o fato é que após o idoso ser deixado no lar a grande maioria das famílias o esquece. Dona Maria de Lurdes, moradora do lar, afirma que a casa é boa, mas a solidão sempre lhe acompanha “Aqui é bom, mas a gente se sente muito sozinha. Minha maior vontade é voltar para casa”, declara à aposentada. Daniele afirma que em alguns casos as famílias até prometem levá-las de volta, mas isso nunca acontece e as moradoras aceleram o processo de depressão “Quando esse tipo de coisa acontece, elas envelhecem em 6 meses o que deviam envelhecer em 5 anos”, afirma.

No lar ainda encontramos idosas que já chegaram até lá sem filhos ou parentes próximos. São mulheres que passaram a maior parte de suas vidas trabalhando em casas de família, e quando chegam à terceira idade não possuem alguém que possa cuidar delas.

A dependência que sentem dos filhos e netos transmitem para os brinquedos. As paredes de seus quartos são repletas de bonecas, as quais beijam, trocam as roupas e cuidam como filhas. A auxiliar administrativa da casa, Marineide Borges, afirma que nessa fase elas voltam à infância “Elas adoram bonecas e quebra-cabeças”.

A fila de espera do Lar da Vovózinha não para de crescer. Atualmente dezenas de senhoras aguardam, em uma lista de espera, a visita dos auxiliares do S.O.S idoso, estes irão constatar a necessidade da mudança para um lar. A realidade é triste, pois na maioria dos casos encontramos pessoas que dedicaram toda sua vida a outras, e na fase final de sua história se encontram sozinhas.