EDUCAÇÃO

CAENE promove inclusão de estudantes com necessidades especiais

Um dos maiores desafios enfrentados por pessoas que possuem limitações de qualquer natureza é a inserção no convívio social. Criou-se a percepção de que pessoas com necessidades especiais seriam incapazes de realizar atividades cotidianas ou que estejam ligadas ao desenvolvimento de algum setor da sociedade. Sem contar na ausência de promoção de políticas de acessibilidade voltadas para deficientes. Resultado disso é a invisibilização destas pessoas. Atenta a essa realidade, a Comissão Permanente de Apoio a Estudantes com Necessidades Educacionais Especiais (CAENE), núcleo voltado à acessibilidade da UFRN, desenvolve o projeto Tutoria Inclusiva, que possui o objetivo de integrar estudantes com algum tipo de deficiência à comunidade universitária, bem como prestar apoio no âmbito social.

Durante a edição 2015 da Cientec, os monitores do projeto orientam o público sobre as ações desenvolvidas.

Sabrina Batista, de 20 anos, estudante de Biomedicina, é uma das monitoras que auxilia os visitantes interessados em conhecer mais sobre o projeto através de vivências experimentadas por pessoas com necessidades especiais. “A gente quer transmitir um pouco algumas situações pelas quais essas pessoas passam, para que elas possam identificar alguém que precise de apoio para que seja encaminhada à CAENE”, diz Sabrina.

Uma dessas vivências é a realidade enfrentada por pessoas com deficiência visual. Os visitantes são convidados a utilizarem uma venda sobre os olhos, sendo guiados por uma bengala e um acompanhante que descreve o local. A estudante Eduarda Chacon, de 16 anos, passou pela experiência e conta que enfrentou dificuldades. “Não conseguia identificar o local em que estava, o que estava próximo de mim. Foi bem complicado”, disse ela.

Para a pedagoga da CAENE Elaine Medeiros, há um crescimento no número de estudantes com necessidades especiais que ingressam na universidade. E é no momento em que entram no cotidiano acadêmico que as ações voltadas para a inclusão estão sendo descobertas por eles. “A cada semestre a gente recebe mais alunos que possuem alguma necessidade educacional. Agora a inclusão está sendo um passo a passo, as pessoas estão procurando conhecer mais a CAENE e como trabalhar com esses estudantes”, explica Elaine.

Sidney Trindade, 39, analista de sistemas, possui deficiência visual. Hoje, ele superou muitas das adversidades que surgiram ao longo de sua vida. Concluiu o ensino básico e médio apesar da falta de recursos voltados para seu desenvolvimento educacional. Depois, capacitou-se em cursos profissionalizantes e graduou-se em Análise de Sistemas. Apesar disso, ele considera que ainda há desafios a serem enfrentados, sobretudo na acessibilidade. “Precisamos ter condições de ir e vir. A gente encontra pessoas que não tem educação, como aquelas que estacionam o carro em cima de uma calçada, prejudicando um deficiente visual ou um cadeirante. Então, a sociedade ainda é culpada pelos transtornos que enfrentamos diariamente”, afirma Trindade.