CULTURA

Pedro Bandeira: “Quem faz um país grande é seu povo”

O Auditório da Escola de Música da UFRN se transformou em sala infantil na palestra de abertura da 20ª Cientec. O escritor Pedro Bandeira, convidado de honra na solenidade, fez todos os presentes voltarem aos seus dias de glórias de criança.

O senhor de sorriso sincero marcou a abertura do evento hoje (21) na UFRN. Atencioso com todos os presentes, o escritor que mais vendeu livros no país destacou-se pela delicadeza para com os curiosos. Pedro Bandeira é formado em Ciências Sociais, já atuou como jornalista e professor, entretanto destacou-se nacionalmente pela criação de histórias infantis. Ele veio a Natal abordar o tema “Ler ou não ser”, sobre a importância de conhecer a própria cultura, além do incentivo à leitura em outras culturas.

Usando camisa básica branca e jeans, Pedro Bandeira passava despercebido pela multidão que lotou o auditório. Ele disse que já visitou Natal diversas vezes. “É a primeira vez que venho com o aeroporto novo”, conta entusiasmado. Bandeira destacou a importância do crescimento e popularização de escritores nacionais no segmento infantil. “É um fenômeno maravilhoso que começou na década de 1980 para apoiar a revolução educacional no Brasil”, conta. Sobre nova geração de colegas, como Talitha Rebouças, Paula Pimenta e Carina Rissi, ele disse que é louvável, pois quando o público dele crescia não existiam escritores do seguimento adolescente que os acompanhassem. “Está surgindo um campo para criarmos um leitor ávido”, complementa.

Na palestra, Bandeira brincava com espectadores no auditório, gesticulava, atuava , imitava e trazia de volta a esperança daqueles que acreditam na inocência infantil. Adultos e crianças riam e aplaudiam as peraltices do escritor. “Ô Manuel, tu cometeste este crime, tu vai pra forca ou pro Brasil?” imita um português enquanto o público cai na gargalhada. A piada fazia referência à situação da educação no Brasil, configurada principalmente a partir da cultura europeia. ”Aquele sujeito que não havia dado certo na Europa vinha para o Brasil”, apontou. “Viam aquelas florestas verdejantes, frutas e índias peladas, aí quem nascia? Nós”, concluiu.

O escritor, aclamado pela plateia, fez um apelo aos professores presentes no auditório. ”O Brasil mais do que nunca precisa de você, professor”, suplicou. “Quem faz um país é seu povo”.  Pedro Bandeira foi aplaudido de pé pelos presentes e agradeceu o carinho de todos.