SAÚDE

Recurso natural é utilizado em prol da medicina

Caminhar na água pode parecer uma atividade simples para a maioria das pessoas, mas o professor Raimundo Nonato Nunes, do Departamento de Educação Física da UFRN, este recurso como metodologia para tratar pessoas com diversos problemas, desde obesidade a pacientes com doenças degenerativas. O programa “Caminágua” pode ser conhecido no estande 86 no pavilhão 04 da Cientec 2014.

O programa, que existe há 15 anos, começou como uma atividade de natação para pessoas obesas. “Mas o público foi aumentando e para realizar o trabalho eu teria que, muitas vezes, ensinar as pessoas a nadar”, conta o professor. “Nadar muita gente não sabe, não é? Mas caminhar, todo mundo caminha. É uma metodologia aplicável a todas as pessoas”.

O público cresceu com o passar do tempo, quando os organizadores do programa perceberam que não estavam atendendo apenas a pessoas obesas. Raimundo Nonato listou alguns problemas daqueles que pouco a pouco foram se integrando ao programa: pessoas com dificuldades de caminhar, taxas metabólicas altas, mal de Parkinson, mal de Alzheimer, doenças degenerativas, entre outros. “E aí nós começamos a atender uma clientela muito ampla”.

O professor explica que a metodologia do programa, realizada há seis anos e meio, consiste em caminhar na água e, com o tempo, aumenta-se o grau de dificuldade. “Muitas vezes as pessoas acham que não tem resultado”, comenta, mas demonstra aos pacientes queos  resultados são significantes quanto a problemas como hipertrofia muscular e outros tipos de dores musculares. Quanto à pressão arterial, o professor revela que o programa consegue reduzir e até normalizar a pressão de pessoas hipertensas.

Não existe restrição de idade para participar do programa “Caminágua”. O interessado deve ser maior que 1,5m, que é a profundidade da água da piscina. “Então se a pessoa tiver 1,6m ou 1,55m, ela pode fazer a caminhada na água”, explica Raimundo.

A ideia do programa surgiu quando Raimundo estava na praia. “Percebi que a minha perna achatava quando ela estava na água. Então eu fui pesquisar por que acontecia aquilo”, conta. Para desenvolver a sua ideia, o professor aprofundou-se em leis da física referentes à água, como a Lei de Arquimedes, para compreender os elementos que dão sustentação ao seu trabalho.

O programa atende mais de 180 pessoas diariamente pela manhã e à tarde. “Nós trabalhamos com duas metodologias. Uma original e outra com algumas modificações”, disse o Nonato. Nessa segunda, que é parte de uma pesquisa, as pessoas só podem participar do “Caminágua” três dias na semana durante 50 minutos. As demais podem passar de uma hora a uma hora e meia na água diariamente.

Doze bolsistas dão suporte ao programa. “Sem eles a gente não podia trabalhar. Ou teríamos um atendimento muito pequeno”, afirma Raimundo. O programa funciona 11 meses e 20 dias por ano e, para participar dele, é preciso um atestado cardiológico “e vontade e interesse”.

Raimundo Nonato contou que vai defender sua tese em 50 a 60 dias e já tem um livro pronto sobre o tema, mas que será lançado somente após a defesa. Ele disse que os planos para o futuro do programa passam por uma ampliação dele, pois a demanda é sempre crescente. “Toda semana recebemos pessoas novas”. Hoje, o “Caminágua” usa duas piscinas semiolímpicas do campus central da UFRN e há a pretensão em usar mais uma.